Histórico Do Município Redentora- RS
Histórico Do Município Redentora- RS
- Publicado em: 02/10/2026 | Imprimir
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No ano de 1850 pairava um silêncio profundo sobre as matas verdejantes e regatos cristalinos, e escondia o mistério onde havia uma grande promessa de um futuro promissor de vitórias, de amor e uma grande terra desconhecida pelas suas riquezas florestais.
Pertencia nessa época a Palmeira das Missões, que na origem foi teatro de sangrentas lutas entre índio nativos, seus primeiros habitantes e conquistadores da América.
No mesmo ano se fez a instalação da comuna e, Atanagildo Pinto Martins foi seu primeiro Intendente, governando-a até 1883, quando este já em provecta idade foi substituído pelo Presidente da Câmara Cel. Laurelino Moreira do Amaral, e chegou o crepúsculo do seu apogeu político que coincidia com a queda da Monarquia, a Lei do tempo é fatal, e a história é um registro de nascimentos e decadências de homens ideias e civilização.
Enquanto que, Laurelino governava, Atanagildo envelhecido pelo tempo, passava o resto de seus dias numa estância reunido com sua família, porém a cidade que ele criou continuava a existir e progredir como um registro vivo de sua obra prima, no ano de 1849 partiu do planalto paulista o Cel. Evaristo Teixeira do Amaral, que assumiu como Intendente em 1886, tendo sido um dos pioneiros do desenvolvimento.
Teve sua criação como Distrito em 1888, sendo suas divisas: do Sul – das cabeceiras do Rio Guarita próximo a Fazenda de Augusto Sampaio até a cabeceira do Rio Turvo e por estes rios abaixo rumo Leste e Oeste até suas barras no Rio Uruguai, seguindo este rumo norte divisa com Santa Catarina, República da Argentina, naquela época não existia denominação, todos os distritos eram numerados onde tomou o número de 4º Distrito, foi criado e primeiro cartório com sede em Campo Santo, tendo sido nomeado escrivão Felizberto Ferreira de Lima e Juiz de Paz Quintino Novaes Saldanha, mais tarde assumiu o cartório Luiz Carpes Ferreira e como Juiz de Paz Pedro Fagundes Teixeira.
Em 1893 explodiu um movimento revolucionário em todo o Estado, partindo daqui um esquadrão governista com “espadas, lanças, pistolas, winchesters, carobrins” e lutaram contra os inimigos em grande parte do Estado, com este movimento houve grande paralização.
Em 1912, o cartório foi transferido para Ramada, hoje Condor.
Em 1919, o cartório foi transferido para Faxinal, hoje Coronel Bicaco, tendo como escrivão Manoel F. de Araújo e Juiz de Paz Pedro F. Teixeira e logo depois Carlos Aquive.
Em 1920, ocupou o cargo de Intendente Adolfo Teixeira do Amaral nesta época foi iniciada a colonização de Três Passos.
Em 1922, explodiu um movimento revolucionário entre os partidos “Borgistas e Assististas” ou seja “Chimangos e Maragatos”, tendo como lutadores principais por parte dos Chimangos : Cel Valzumiro Pereira Dutra, Cel Vitor Domercelles (Tutuxa), Capitão Serafin de Moura G. Netto, Cel. Claudino Nunes, todos esses sob o comando do General Fermínio dePaula e por parte dos Maragatos: Leonel Rocha, João Prado, Laurindo de Abreu, Chicuta Moreira, Pedro /Gabriel e muitos outros, saindo-se vencedores os Chimangos, ficando assim muitas divergências entre os partidos políticos, pois valentes se difundiam em duelos.
Residiam nesta época na então vila e arredores do atual município Joaquim Conrado Borges, Afonso Julio Ribeiro, Etelvina Silveira Dutra, Francisco Conrado da Rosa, Santana Alves da Silva, João Carlos da Rosa, João Carlo de Souza, Acelino Lutz Pinheiro, Antônio José Tealdo, João Arruda, Antônio Júlio Ribeiro, Ponche Verde, Sustâncio Bicudo, Olivio Argentino Pias, Joaquim Carvalho, Tiburcio Alves de Siqueira Fortes, Pacífico Joaquim Borges, José Ribeiro, Alvaro Alves Pacheco, Manoel Tealdo.
Em 1924, sangrento combate partindo de Ramada sob o comando de Prestes, passando por esta vila que se denominava “Redentora de Vila Seca”.
Em 1926, foi transferido o cartório para esta vila com a denominação de “Sede Concórdia”, mas que por desentendimento de superiores não foi aceito e deram-lhe o nome de Redenção.
Em 1924 até 1928, foi Intendente o Dr. Frederico Westphalen, que a partir de então era proibida pela Constituição Estadual a reeleição dos Governadores Intendentes, uma administração feita com muitas dificuldades, tendo iniciado pelo Engenheiro Germano Mayer a colonização de Erval Seco.
Em 1930 foi nomeado o Major Feliciano Jorge Albert que convocado para o movimento que teve um breve cessamento , mas que em 1932 explodiu e então foi organizado o Terceiro Corpo Auxiliar da Brigada Militar e em 12 de julho deste mesmo ano partiram para São Paulo sob o comando do Coronel Finzinho, ficando aqui como Intendente o Major Feliciano Jorge Albert, devido a doença de sua esposa não pode acompanhar o grupo organizado, e em agosto do mesmo ano iniciaram a batalha em Itararé, destacando-se em todas pela coragem dos soldados e oficiais, seu nome ficou gravado na história, tendo sido apelidado pelos Paulistas de “Terceiro pé no chão” porque quando de lutas sacaram suas botinas e lutaram descalços com as “Mãos Negras” que eram naquela época os mais temidos lutadores, porém para os nossos integrantes, luta não era novidade.
Dentre o período de 1936 a 1940 o Dr. Frederico Westphalen, interessou-se pelas vias rodoviárias e comunicações, havendo aí outra revolução contra o governo Federal, mais uma vez Redenção destacou-se organizando a “Guarda Nacional”, chefiada por Valzumiro Dutra, que demonstrou seu valor cívico e patriótico trazendo mensagens aos Capitães Manoel Estanislau, Valdemiro Arbo e Antonio Julio Ribeiro que tinha sido nomeado sub intendente no ano de 1937, estas mensagens eram trazidas para que não fracassassem em seu propósito de difundir o Governo Federal com a vitória.
Em 1941 foi eleito o Cel Feliciano Augusto de Almeida e Antonio Julio Ribeiro permaneceu como Subprefeito até 1942.
Em 1944 Três Passos desmembrou-se de Palmeira das Missões emancipando-se pelo Decreto Lei Nº 716, de 28 de dezembro de 1944, tendo sido assinado pelo Intendente Federal Ernesto Dornelles, instalado no ano 1945 e sua interventoria ficou assim nomeada:
- De: 1º.01.1945 a 17.03.1945 – Armando Prates Dias
- De: 17.03.1945 a 21.11.1945 – Dr. Luciano Machado
- De: 21.11.1945 a 21.02.1946 – Cap. Marcenades Strincher
- De: 21.02.1946 a 04.05.1946 – Dr. Luciano Machado
- De: 1946 a 1947 – Carlos Nino Machado
- De: 1947 a 1948 – Salathiel Republicano Mayresse
- De: 1948 a 1951- eleito Prefeito José Pazzini
Componentes do Legislativo:
Pres. Jacinto Roque Machado
Vereadores: Bádia Buaes, Alberto Irgang, João Pedro de Moura, Francisco Andrigueto, Affonso Fenstenseifer, Milton H. Krauser, Cincinate Brandão, Alcido Brust, Helmuth Maeler, Jacob Francisco Neddel, Willy Eugenio Fleck e Manoel Estanielau.
E Redenção continuou participando ativamente para o progresso e o desenvolvimento da nova comuna, e estes estão preocupados em dar finalmente uma denominação adequada a esta localidade, aí surgiu o nome de REDENTORA, devido a estátua de Cristo Redentor que é o padroeiro do atual município foram nomeados para exercerem o cargo de subprefeito no período de 1945 a 1951: Turibio Luciano de Souza, Raul Arbo, Franquilin dos Santos, João Fiade (Filho), Nelson Borges de Moura Mattos, Natalio Leite do Amaral, Olivio Argentino Pias, Ernestides Lopes Correa e Adalberto Jorge Albert como Exates: Tte João Paz e Nabuco Odilon Fortes.
Em 1952 foi eleito Prefeito Otacilio Melo Barcelos, que logo depois assumiu o Vice- Prefeito Volfgang Low.
Componentes do Legislativo: Dr. Benjamim Osório, Dr. Eugenio Machado, José Pazzini, André Barraldi, Alcides Brust, Egmar Sant’ana de Morais, Willy Fleck, Alcides Braun, João F. Barros, José Alfredo Schardon, Clodomiro Silva, Rodolfo Hildebrand, Bádia Buaes, Ricardo Tesche, sendo sub prefeito o ciddão Olivio Argentino Pias.
Em 1953 diversas pessoas de origem visitaram esta vila, e vendo a maravilha e o progresso devido ao grande florestamento existente resolveram transferir suas indústrias madeireiras para esta localidade, onde havia apenas uma Ferreira de propriedade do Senhor Frederico Penne, e o Senhor Nelson Borges como Escrivão deu logo inicio ao loteamento de uma área de 625.000m², onde afirma Artur Cordenonci numa parte dessa área instalou-se, no ano seguinte apareceram os primeiros colonizadores Italianos vindos de Boa Vista do Buricá, a família Rossoni que logo entrou em contato com o Dr. João Juliano proprietário de mais colônias , donde estes adquiriram várias, para o inicio da colonização que é hoje o setor mais importante no desenvolvimento econômico desta comuna, foi iniciada a campanha á instalação de redes: telefônicas e elétricas, construções de várias casas para moradias, igreja e ampliaram as instalações da sociedade hospitalar que na quela época estava a cargo de Salathiel R. Mayresse e Corina de Souza Castagnara onde esta com seu préstimo servia a população.
Em 1959 pela Lei Estadual 3.706, Campo Novo desmembrou-se de Três Passos e, Redentora como sempre participando ativamente elegendo dois vereadores que foram Salathiel Republicano Mayresse e Ricardo Tesche, sendo estes mesmos reeleitos na segunda legislatura, Campo Novo também contribuiu para que Redentora se desenvolvesse que atualmente se encontra na maior parte da fazenda dos “Borges”, cujo título de propriedade foi requerida pelo casal /Manuel e Ana Belmont Borges, despachado pelo governo de estado pela Lei Nº 1850 com a área de aproximadamente vinte mil metros, no ano de 1870.
Com o passar do tempo Redentora aumentava gradativamente, suas fontes produtoras foram exploradas, suas economias multiplicadas, tendo sido Distrito de Palmeira das Missões, Três Passos e Campo Novo, é claro que não poderia continuar na condição e uma simples vila e passou a buscar a sua emancipação política administrativa no decorrer do mês de fevereiro do ano de 1963, um pugilo de homens devotados por sentimentos de tradição pelo terrão em que viveram, resolveram elevar uma área que se constituía num então Distrito à categoria de comuna autônoma .
Daí a formação da Comissão Emancipacionista que teve como presidente o advogado e Dr. José do Amaral Campos, vice presidente João Fernandes Araújo, 1º Secr. Nelson Borges de Moura Mattos, demais membros: Gustavo Adolfo Penno, Valdomiro Garcia, Jorge Borges Zimermann, Brasil Machado, João Maria dos Santos, Sinfronio Julio Ribeiro, Zeferino Rossoni, Antônio Julio Ribeiro, Maximino Rossoni, Dr. João Jiuliano, Augusto Rossoni, Siriace Pereira da Silva e muitos outros colaboradores.
Após uma série de gestões empreendidas pela Comissão Emancipacionista perante diversos órgãos oficiais, foi pela Lei 4.567, de 03 de outubro de 1963, sancionada pelo Governador Ildo Meneghetti e criado finalmente pela Lei Estadual Nº 4.726, de 21 de janeiro de 1964, e instalado em 12 de abril do mesmo ano.
Teve como primeiro Prefeito o Senhor Contante Luiz Gemelli, a quem coube estruturar os serviços administrativos e implantá-los no município, tendo como Vice- Prefeito o Senhor Enélio Cossetin, o primeiro Legislativo se compôs: Artur Cordenonsi, Victor de Moura Castro, Paulo Vicente de Souza, Luiz Eudóxio Gemelli, Felipe Souza da Silva, Adolfo Carlos Schultz e Waldey Gonçalves de Lima.
Situação Geográfica: Está situada na Região Fisiográfica do vale do Alto Uruguai, sua extensão territorial é de 273 km², distante 487 km da Capital do Estado, Três Passos 60 km, Palmeira das Missões 60 km, Santo Augusto 32 km, Braga 8 km, Erval Seco 18 km, Miraguaí 18 km, Coronel Bicaco 8 km, Tenente Portela 38 km, Itapiranga – SC 67 km, e Ijuí 110 km, integra a chamada conhecida Região Celeiro do Estado do Rio Grande do Sul.
Clima: Os meses mais quentes dezembro, janeiro, fevereiro, quando a temperatura alcança 38º centígrados. Os meses mais frios são junho, julho e agosto com a temperatura a 2º graus centígrados, nos demais períodos tropicais.
Acidentes Geográficos: Rio Guarita onde está localizada a Usina Hidrelétrica, onde juntamente com o Rio Jacuí, fornecem energia para toda Região.
Demografia: A formação populacional e cultural do Município reúne povos indígenas, especialmente Kaingang, além de luso-brasileiros, italianos, poloneses e alemães.
A PRESENÇA INDÍGENA E A TERRA INDÍGENA DO GUARITA
A história de Redentora está profundamente relacionada à presença dos povos indígenas, especialmente do povo Kaingang, cuja ocupação no território antecede o processo de colonização da região. Estudos históricos apontam a presença Kaingang no Alto Rio Uruguai, representada, entre outros espaços, por Guarita, Nonoai e Inhacorá.
As primeiras referências documentais à Guarita, apresentada nas fontes como aldeamento ou toldo indígena, surgem em 1848. Naquele período, Guarita foi um dos três aldeamentos estabelecidos pelo governo provincial, juntamente com Nonoai e Campo do Meio. O local já reunia vários toldos indígenas e tinha como liderança o cacique Fongue, referido nas fontes como Paibeni, ou “Grande Chefe”.
O Campo do Guarita tornou-se aldeamento oficial do governo por volta de 1848.
A organização territorial Kaingang, entretanto, caracterizava-se pela mobilidade dentro de seu território, com deslocamentos relacionados à busca por fontes de água, alimentos e demais recursos necessários à manutenção da vida material, social e cultural. Parte dos grupos deslocou-se posteriormente para Nonoai e Inhacorá, e o Guarita passou por períodos de desativação e reativação como aldeamento oficial.
Por volta de 1880, Guarita foi reativada como aldeamento oficial, contando então, segundo o estudo histórico utilizado como fonte, com aproximadamente 110 indígenas Kaingang. Mesmo nos períodos em que o aldeamento deixou de funcionar oficialmente, isso não significou o desaparecimento da ocupação indígena do território, uma vez que os grupos mantinham formas próprias de mobilidade e organização territorial.
No início do século XX, o Campo do Guarita passou a ser reconhecido como Terra Indígena. Em 1908, o Governo do Estado iniciou a demarcação das áreas indígenas existentes, e a região do Guarita foi demarcada como área de ocupação tradicional ou muito antiga. A área total da Terra Indígena do Guarita foi oficializada em 1917 e apareceu oficialmente nos relatórios de 1918 com 23.183 hectares e uma população registrada de 200 indivíduos. Em 1941, o Serviço de Proteção aos Índios - SPI instalou um posto oficial na Guarita.
Conforme o estudo “A Terra Indígena do Guarita - RS e o seu processo de formação”, de Fernanda Wisniewski, publicado nos Anais do XXVI Simpósio Nacional de História - ANPUH, em 2011, a Terra Indígena do Guarita localiza-se entre os municípios de Redentora, Tenente Portela e Erval Seco, mantendo também forte relação com o Município de Miraguaí, situado em seus limites.
À época do estudo, a Terra Indígena do Guarita era descrita como composta por aproximadamente sete mil indivíduos das etnias Kaingang e Guarani. O trabalho informa que sua organização territorial se dava por setores ou aldeias e identifica, no Município de Redentora, os seguintes setores indígenas Kaingang: Missão, Estiva, São João do Irapuá, Bananeira, Pau Escrito, Mato Queimado e Katiú Griá.
O mesmo estudo identifica Pedra Lisa, Três Soitas e KM 10 no Município de Tenente Portela e a aldeia Guarani de Gengiva no Município de Erval Seco. Embora o artigo mencione uma estrutura composta por 12 setores, a relação nominal apresentada no próprio texto não enumera todos os doze; por essa razão, neste histórico são reproduzidos apenas os setores expressamente identificados pela fonte.
A presença indígena constitui, assim, elemento fundamental da formação histórica, social e cultural de Redentora. Muito antes da emancipação políticoadministrativa do Município, os povos originários já ocupavam esse território, construindo nele relações sociais, culturais, econômicas e espirituais. A Terra Indígena do Guarita permanece como parte indissociável da identidade e da história do Município e da região do Alto Uruguai.
Anexos
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